Não escrevo palavras bonitas, escrevo sentimentos bonitos...!
I do not write nice words! I write beautiful thoughts ...




terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O falador de palavras mortas!

Essas palavras que cospes
estão condenadas à morte.
Pois, carregam a hipocrisia do mundo!

Falas do mundo…
Convencido que o mundo fala de ti.
E esqueces o que foste na ilusão do que és.

– O que é que tu não entendes?
Falador de palavras mortas.
– O silêncio? - As folhas a cair?
– Os ponteiros do relógio?
– As bibliotecas vazias?
– O ócio?...

Não fales palavras mortas.
O enigma é o efeito boomerang…


José M. Silva

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O amanhecer descobre-nos o rosto

O amanhecer descobre-nos o rosto
olhamos hesitantes por entre as árvores
que lentamente se desnudam
revelando-nos o vernáculo vácuo
com que adormecemos e acordamos

Desolados
tentamos apagar da memória
o futuro (des) construído
o presente cativo
o passado encapuçado

Com linhas e pontos
desenhamos formas
com formas personificamos objectos
com objectos abraçamos memórias
com memórias olhamos as estrelas
e desejamos a sua luz o seu brilho

Sinto a caneta a fluir
pelo branco do papel
parcialmente coberto de azul

Os segundos (des) continuados
marcam compassos desalinhados
com uns a fazerem -se de outros
outros a fazerem -se de alguns
e alguns harpejando ponteiros gigantes

O amanhecer descobre-nos o rosto
sabemos e sentimos o peso da vida
a ausência da luz e reflectimos sobre as sombras…

José M Silva (Poema inédito)

A verdade…

Queres mesmo saber a verdade?
A verdade que jorra lágrimas e derrama sangue?!
E faz doer até as margens do teu leito
enquanto sustentas a respiração
e devoras todos os pedaços de mim
que abarcam a tua boca.

Queres saber do tempo?
Sim, esse tempo que tanto adoras,
mas que tanto abominas.
Apagou-se na crença do teu desamor
nas lembranças de mim e de ti
nas memórias de um futuro sem passado.

Por passar, passei eu! Muitas vezes.
E tu, sem te dares conta
contavas, as vezes que eu passava.
Quando adormecias com os meus olhos
e acordavas com os teus!

José M Silva (inédito)

Sim…

Sim, eu deixo-te ser
mesmo o que não és!
Devolveste-me a pergunta discreta e muda
enrolada em palavras soltas
esqueces que o silêncio colhe ecos.
Sobrevoo as mãos frias,
nas lembranças do teu rosto
e mergulho no teu ser, para poder estar.
E estou! Tu é que não queres ser.

José M Silva

Rascunho o amanhecer dos teus olhos

Rascunho o amanhecer dos teus olhos
nas folhas inconscientes que me caem aos pés.
Vejo as árvores a respirar o ar sufocante das ruas
que atravessam as pontes do teu caminho.

Os fluídos viciados
que circundam o teu hemisfério pensante
derrapam na indiferença do meu estar.

Não sei a palavra que és
nem mesmo sei a mascara que usas
quando te passeias pelas avenidas.
Só sei das palavras.
E por falar em palavras vou-te oferecer uma.
Só não sei que cor lhe dar!
Pensei no azul, mas achei-o demasiado frio.
Lembrei-me do vermelho mas achei-o demasiado quente.
De seguida ocorreu-me o branco mas achei-o demasiado neutro.

Se não te importas presenteio-te com uma palavra inefável.

José M Silva (Poema inédito)

Talvez fosse

Talvez fosse.
Sim, talvez fosse!
A nossa hora,
o nosso dia,
a nossa tarde de Setembro!
-Lembraste, dessas tardes?
O sol tardio relaxava-nos os corpos
E nós permanecíamos deitados, de mãos dadas;
de lábios colados, de olhos vidrados.
(dizendo todas as palavras que as palavras não dizem)

Tudo o que resta dessas tardes,
não passa de um sonho parado,
com imagens premonitórias de pés descalços,
modelados na areia molhada e desfeitos no rebentar das ondas.

Reparo nas fontes que endoidecem o silêncio
e canto para ti, só para ti!
Passeio pelo cais da saudade
penso nesse tempo que nunca foi nosso e pergunto!
- Queres ser o meu Setembro? - O esporão dos meus beijos?
- A luz da minha luz? - O fogo do meu fogo?
Então vem! Vem hoje, que o amanhã é água a correr.
E o amor é uma rosa, que na secura, morre!

José M Silva 19/10/2013

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Abstraction 

Alone 
In these four walls 
I white the world. 
With magicians and ephemeral scenarios 
Common denominators 
At the new order. 

The orchids on the table absorb the air. 
The cover of the book «Portrait of the artist as a young man»
Of James Joyce is torn. 
The lamp is loose 
And everything is abstraction. 

I find myself somewhere between 
The time lived and the time spent
I Think and dream! ... 
The corridor is narrow, 
I follow sleepwalking foot by foot
The house shudders and the screams intensify! 
My dad had dreams 
And the death has deep names, 
Early wills and Bacchus by company
My mother, was north on mild winds 
Sang the desire of things 
And follow the flowers. 
Sometimes, Bacchus, released his anger, 
And everything was scary, curved and frightening

I´m an ultimate time 
That arises from a short space of time, 
Where there were flowers in the jar, and fruits in the orchard. 
The seeds were fertile and hovered
I was a genetics hope, 
A spring swim, a centripetal fruit!

I am a dormant strength
A wrong destination 
Harvested Van Gogh seeds, 
A epicenter, a click, a blackout. 
I´m a want, who, that’s so much want 
Get to believe, that everything is love 
Burning around the campfire 
Dropping flares. 

I'm going against the madness... to my madness! 
The measure of things, 
Are inconsequential acts, but alive. 
Lose myself in time, and follow the wind. 
The feeling is the theme lived 
And goes far away beyond the life and death
Is a want, which jumping the bonfire
Is a scratch of eyes, with cognitive demands
Expressed in my hands 
It is a birth in me 
A graphic expression of words 
Incarcerated in shyness.

I say, that the beautiful is not beautiful, If not complete! 
To my eyes the beauty is a whole, 
Because the love of things, it is not only appreciation. 
But, also the life, the pleasure, the feeling…
Be for moments the "Creator". 
Or the essence of the work, be empathetic form,
Or be louder, and fly!
Fly into the night. 
Feel, by brief moments, the desired juice
Fade out in small clicks.
-You only can, have one love! 
-Said my brother
-Is the truth of the times 
-But I don't live of the times 
The times live in me! 
And in me I am the time, I am my time! 
And in my time, I am a believer, I'm people 
Who lives and feels like everyone else. 
And in love, I'm free, I'm bigamous, 
Would weigh a boat, with one love!

I'm a scratch of pen, a sequence of chords a flow of brushes 
Sometimes, deny the color, other I´m St. John fire. 
Sometimes, I am a melodic balance, other´s a barking sound. 
Sometimes, the poem is in me firm and wonderful
And takes me in these insomnia, is a river in my hand, is life running. 
Are forms to flow in successive mutations
Is a matter that resurrects in the dawns 
Is a time only mine
An arise of senses, 
A smell, nauseating and starring 
A nightingale singing, Is the nature, 
That involves me, and I want to be nature! ... 
Because I`m a strength of her. I want to feel like her 
Be in her and her in me. 
I want sing to her and sing with her
I want paint to her being she´s essence 
I want to sculpt her and be substance
I want playing her being she´s melody. 
I want to be dead and live in her 
I want to be alive and breathe with her! 
Want to wake up white her
And discover all the names.

Be part of the entire whole 
One whole of everyone, a whole breathable, 
A Harmonic whole, a world whole!
Without doors, the windows are the soul. 
A green world, with herbs to grow, 
With the flowers to sprout, with the children playing 
And the whole world to fly! ... 

And I sitting here, in to the night 
Alone, with the world and everything 
Is abstraction.

José M. Silva

domingo, 10 de março de 2013

Vou partir














Imagem retirada da net (desconheço o/a autor)

Vou partir! Não me perguntes para onde vou.
Pois, nem eu mesmo sei. Só sei que vou partir.

Vou sem rumo, talvez seja esse mesmo o rumo!
Não sei, se me vou perder, ou se me vou achar.
Nada sei da chegada! Só sei da partida.
Vou fruir o caminho, sem pensar numa ou noutra.

Desconheço o meu destino, ou onde me levará.
Vou partir, sem saber se quero regressar!
Quero estar onde, houver vida, só vida!
Vida com braços, vida com abraços…

Vou partir para o mundo da vida em construção.
Ajudar a desconstruir muros e arranha-céus
petroleiros, gasodutos e descargas tóxicas.
Vou com a vida, até onde a vida, me levar!

E, quando lá chegar, vou recordar este mundo sem vida.
Pensar, o percurso percorrido, estender-te o meu braço
para que possas em paz, a tua cabeça pousar e dizer;
- esta foi a vida que escolhi, este é o meu regressar!


José M Silva

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Apresentação do livro «As Sombras»

Tenho o prazer de convidar V. Exa.
Para participar na apresentação
do meu livro de poesia, intitulado
«As Sombras»
O evento terá lugar, no salão nobre
da Biblioteca Municipal de São Lázaro.
Sito: rua do Saco, 1 - 1169-107 Lisboa,
(Freguesia da Pena)

Conto convosco :)

José M. Silva




quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Prefácio do meu livro de poesia

«Quando as pontes caem, os homens são cordas gastas, sobre o abismo!»


Prefácio

Ao plantar uma árvore, valorizo, a sua linguagem.
Falo com ela e interrogo-me, como um indivíduo
passível de mudança.
Apercebo-me, que a árvore, por si só, não se vale,
devido à imutável metamorfose do tempo, que a
impede de crescer...
Planto, outras árvores, de espécies variadas em seu
redor. Consciente que ao florir, perderá algo de si,
mas ganhará, muito das outras.
Na arte, como na vida, enalteço, o caminho e traço,
a palavra em conformidade com o estado de alma.
Neste livro, personifico em contexto simbólico
e metafórico; a vontade, o querer e o carácter
dos portugueses.
Questiono-me, como europeu não adormecido,
cidadão, de um país subjugado a uma cultura
“democrática”. Até quando, (num país de intolerantes)
se continuará a tolerar; o desrespeito pelos direitos humanos,
a iniquidade, o despotismo, a desigualdade!…
Para quando, um país realmente livre, um país
de todos, para todos! Quando!

09/12/2011 José M. Silva
Só quando o vento bate três vezes


Só quando o vento bate três vezes
é que as folhas caem.
Umas com vista para a cidade,
outras com vista para o campo,
mas todas caem!...
Os pensamentos mais profundos,
estendem-se ao sol.
E as folhas não entendem
a matéria do sopro que tece a vida…!

15/08/2010 José M. Silva

Do livro: Entre O Hoje E O Amanhã (Vários Autores)
O era


O era e não era, andava a lavrar!
A corda está no pescoço da burra.
E a burra, senhores “doutores”
de tanto parir, de tanto carregar,
já deixou d´andar….

 08/03/2011 José M. Silva

Do livro «Quando as pontes caem, os homens são cordas gastas sobre o abismo»
O profeta


Se o falar fosse cuspir
e a palavra o levantar.
Não estaria a nação; sem ar,
sem guerra ou paz, a carpir.

Se a ocasião faz o ladrão
e se o ladrão marca o tempo.
Haja quem dê a mão à razão
e sinta com o pensamento.

Mas, se a profecia é o ambíguo alento
do bem bom “patriótico” e “amigo”
saiba esta separar o joio do trigo.
Pois palavras, essas, “levás o vento”.

05/05/2011 José M. Silva

Do livro; «Quando as pontes caem, os homens são cordas gastas sobre o abismo»
A reza


Qual reza, qual mar
lumina o conserto
deste povo malfadado
caído na desgraça do fado.
Que tem por capa o destino
verde pinho c´areia enterra
dum império adormecido
no alimento da saudade
do camuflado divino.

Arrasta, o mar em seu redor.
Vê, o que pode numa hora ditar
e d´espanto num ano alcançar
velejando de sopro em sopro.

Aguarda, na esperança que um dia
apareça, neste ou noutro porto.
Vindo, dum ou doutro lugar
Traga, deste ou doutro mar
o céu com sol a raiar.

20/02/2011 José M. Silva

Do livro: «Quando as pontes caem, os homens são cordas gastas sobre o abismo»
Sonolento


Nem o dia nem a noite vos chega!
Tal descalabro a furar o pejo pensar.
Pensar que roda nas quinas da sorte
sorte que roça na direcção das velas
velas que acolhem o vento morto.

Que morto já não lembra mais
onde jazem, as trevas, os vendavais
e quantas outras vontades reais.
Que, fizeram o mar subir ao céu
descer à terra e revelar o mundo.

Após três vezes rosnar, gritou!
- Acordai! Não honrais os dignos feitos?
Fostes vós, o pesadelo do meu Ser
Vós, que me ousaste afrontar.
Quem sois agora? O lixo da Troika?...

Ora ora, afiai o gume e levantai a espada!
A vida é nada e a divida é pública…

29/03/2011 José M. Silva

Do livro: «Quando as pontes caem, os homens são cordas gastas sobre o abismo»
O Rosnador

- Rosna, rosna, rosna, três vezes roda
rodopia, cai, ondula, activa o tufão
redemoinha pé-de-vento, trás alento!
Ó diabo a poeira! Ao mortal a aragem.
- Rosno, grito, berro, ranjo os dentes
reviro os olhos, carrego o sobrolho
ralho do fundo mar, ralho aos céus!
Que o breu fica claro e o dia escurece.

- Dirige, gere, plagia, ao sabor do vento
guarda, no roçar das velas a tua cobiça.
Que a passagem pró El-Dorado é pública
a miséria é nome e o céu não tem mãos…
- Dirijo, governo, roubo! Este, aquele, o outro...
viro à direita, à esquerda, ergo outras valias
desvio milhões, gozo à farta, o sistema é amigo
o de trás fecha a porta, o resto são cantigas.

E ai de quem me enfrente! Ouça, e trema fundo!
Que a vontade do homem jaz no fim do mundo.

24/03/2011 José M. Silva

Do livro «Quando as pontes caem, os homens são cordas gastas sobre o abismo»
Quem menospreza a inteligência emocional, ou é tolo ou é parvo!


José M. Silva

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Há muitos anos…

Há muitos anos, que ouço dizer:
“Presunção e água benta, cada um toma a que quer.”
E quem quer não é cocho nem morde a língua.
É que os ratos não mordem, os ratos roem.
Uns roem jornais, outros roem palavras
E outros há que de tanto roer, já nada roem.
Ninguém é dono do talento, e uns têm mais que outros
É a lei da natureza, também a lei do trabalho…
Todos têm, quanto mais não seja, um talento.
E, há pessoas que se reflectirem, vão concluir que,
a falta de talento é em si um enorme talento!
Senão vejamos, que nos diz uma tela em branco?
Pode dizer tudo e ser nada! Ou pode dizer nada e ser tudo!
Pode ser só uma teia e uma trama tecida num tear.
Ou pode ser a mais fantabulástica obra d´arte jamais vista!...
Depende da perspectiva se é de lado comó Machado ou de banda comó Miranda.

José M. Silva
Mal me quer/Bem me quer!
Por vezes, um conto, não passa de um conto.
Poder-se-á dizer; inerte, sem alma…
Repelido, quer por satanás, quer por deus.
Como se surgisse das entranhas da terra.
A confiança é um rato, e,
“o rato roeu a roupa do rei de Roma.”
Se valeu a pena?
“Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena.”
Mas… e se a alma for pequena? Ainda assim,
vale a pena? - Penas têm as galinhas, Já dizia a minha avó.
Que era artista e tinha um sentido de humor requintado.
Por vezes, o melhor, é o pior. E, o pior de uns, é o melhor de outros!
Interrogamo-nos. - Porquê? - Concluímos que,
por vezes, em vez da mão, é preferível receber o pé.
Há males que vêem por bem, e, é sensato, guardarmos o nosso melhor
quem sabe, venha a ser útil, a nós ou aos outros.
Enquanto isso, continuamos a caminhar!...

José M. Silva
“O rato roeu da roupa do rei de Roma”
Só me pergunto! Sendo eu, como sou, um simples mortal.
Sem legado algum prá posteridade, pois tudo o que faço é merda!
E tudo o que digo está além do óbvio, logo ilegível e sem sentido.
Alguém que, (segundo alguém) é um paradoxo, tão indigno
não só desta vida, mas de todas as vidas, as passadas e as vindouras.
Porquê tanta preocupação? Porquê tantos contos, tantas mentiras,
tanta falsidade, tanta hipocrisia? Porquê tanto lamber a merda que eu cago?

José M. Silva