Não escrevo palavras bonitas, escrevo sentimentos bonitos...!
I do not write nice words! I write beautiful thoughts ...




domingo, 16 de maio de 2010

Nesta terrena e curta passagem


Foto de José Ferreira (olhares)

Nesta terrena e curta passagem

o endereço próximo situa-se,

na futilidade das palavras.

As que vivem encantos e desencantos

enganos e desenganos. Por vezes:

amadas, odiadas, inoportunas…

Por vezes: pálidas, díspares, obsoletas…

Bloqueiam sentidos, arquivam emoções,

escrevem livros e decifram códigos

aos olhos dos supra alfarrábios.


José M. Silva


Do Livro «As Sombras» 2010



quarta-feira, 14 de abril de 2010

Fotos do «Musicalidade Poética II»


Fotos de autoria de José Tavares
Montagem ( Movie Maker) José M. Silva

domingo, 4 de abril de 2010

As palavras


Foto retirada da net

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?


Eugénio de Andrade


quarta-feira, 31 de março de 2010

«Musicalidade Poética II»


José M. Silva e o Clube Literário do Porto
têm o prazer de convidá-lo (a) a assistir
ao evento Musicalidade Poética II, no dia
11 de Abril, a partir das 16.00h, no piano bar.

O evento terá a participação do músico
Carlos Andrade, e das declamadoras:
Maria Emília Pinheiro e Maria José Veiga

Clube Literário do Porto
Aberto de segunda a domingo,
das 9.30h á 1.00h.
Rua Nova de Alfândega. nª22
4050-430 Porto
Tlf: 222089228

sábado, 27 de março de 2010

Clareiras do Bosque



A clareira do bosque é um centro
Em que nem sempre se consegue entrar
É um outro reino que a alma habita e guarda
Parece como que o vazio - ou o nada ou o vazio -
Que estarão presentes ou continuamente latentes na vida humana
E para não ser devorado pelo nada ou o vazio
Haverá que juntá-los num só

Centro é também o coração
Porque é o único que do nosso ser se ouve
E só por ele
Os privilegiados organismos que o têm
Se ouvem a si mesmos

Só os astros longínquos, puros,
Enquanto forem inacessíveis à sua colonização
proporcionarão a imagem real
De um ser idêntico à sua vida inocente
Como se só tivesse sido criado sem ter de nascer

Fica surdo e mudo,
Circunstancialmente, o coração
Deixa então todo o espaço às operações da mente
Que se movem assim
Sem assistência alguma
Abandonadas a si mesmas.

Maria Zambrano


quarta-feira, 17 de março de 2010

Meu Pai


Foto da autoria de Ana Filipa Silva

É lento e frio

este amanhecer

que a Março

abre as portas

ao som da música

que me atravessa o sono

e me aparece nesta

visão única, que guardo

dum tal respeito e semelhança.


A vida passa e tu não estás

procuro-te no fundo

bem no fundo de mim.

Vêem-me à lembrança

recordações daquele último dia

do teu olhar mais velho e cristalino

da água que te corria o rosto

e da ternura que jorrava em ti

o desaparecer dum sonho…


Recordo-te a cada passo

como se o passo, do passo

passasse a cada instante

em que te penso e me apareces

naquele derradeiro olhar

voltado sobre os ombros

tão profundo e sereno

na estação do teu mar.


E que seria o voltar

que te visse eu

no quanto a vista alcança

na estação do comboio

pedalando o triciclo que me havias dado…


José M. Silva


http://porosidade-eterea.blogspot.com/2010/03/hoje-ainda-e-dia-do-pai.html

terça-feira, 9 de março de 2010

Como se estivesse apaixonado


Foto de Virgínia Pinhão (olhares)

Para quem não sabe como é

(como se escreve um poema de amor)
eu vou dizer.


Como se estivesse apaixonado
Falar desse teu corpo exagerado
Que apenas aos meus olhos ganha cor,
De um coração em mim anteestreado


Num palco onde jurei fazer-te amor.
Esculpir esses cabelos impossíveis
Que nunca mãos algumas alisaram,
Desflorar esses vales inacessíveis


Onde os outros de vésperas naufragaram.
Contar como se ardesse de desejo
As pernas de cetim que tu me abriste
E a boca que se derreteu num beijo,


Soluço de sorriso que desiste.
Dizer, porquê? Se todo o mundo sabe
Que quando se ama não se escreve
E que, então, o tempo todo cabe


Naquele instante breve que se teve.
Contar o resto seria apenas feio,
Sentir o que não foi, deselegante.

Falar do que te disse pelo meio
Só se não fosse homem, nem amante...


FERNANDO TAVARES RODRIGUES
(nasceu em Lisboa em 1954)


segunda-feira, 8 de março de 2010

O fogo da decadência



De repente, o fogo veio

E aos poucos o dia calou a sua voz.

O silêncio era frio

E o nevoeiro repleto de raiva e ódio

Estendeu as suas garras

Sobre o Portugal futuro.

Os clarões viam-se ali bem de perto

Mais parecia um tempo sórdido de guerra

Onde os homens caem

Abatidos pela ignorância da terra.

E nós deambulávamos perdidos

Escondidos, tontos e amordaçados.

O medo paralisava-nos as pernas

E o suor frio escorria pela face

Entristecida por tanta madrugada perdida

Quando ouvimos uma voz que dizia:

“reparem naquele fogo…

Não é uma fogueira qualquer

Nem tão pouco um fogo que arde sem se ver.

É um contentamento descontente

Que embala o corpo sofrido

Que esmaga o sonho do espírito

Nessa dor que queima até à alma

Na amargura do nosso doer.”

Sim, é uma fogueira sem brilho

Que aquece no arrepio

De quem morre até morrer.

É uma fogueira de má sorte

Que apenas conduz à morte.


Rui Fonseca em No profundo da alma lusitana


António Rui Arrepia Fonseca natural de Foz-Côa.

Licenciado em Filosofia, pela Universidade do Porto.


Inserido numa lógica universal este livro, Leva-nos

numa viagem: histórico-cultural, consciente e analítica da

alma Lusitana. Com abordagens às terras de Ofiúsa,

ao Portugal Templário, à Inquisição...




quarta-feira, 3 de março de 2010

Orgulho lusitano


Imagem retirada da net

Vivemos na memória d´outros tempos

e se tudo conquistamos tudo perdemos.

Os cantares? Esses… afagam a alma.


Entre as exaltadas e incertas ondas

a conquista de hoje, é o sangue do amanha.

O presente é quem o vê, o futuro não vale nada

a liberdade tem cancro, o amor padece de doença terminal.


Orgulho!.. Esse, o das auroras, dos feitos, sim muito!

Esses d´alma, que por si se valeram e em desencantos caíram.

De ganho. Louvores no juízo final, e uma lapide, na cova funda!..


José M. Silva


terça-feira, 2 de março de 2010

A propósito d´amor próprio...


«Á janela» Foto de Romulo Lubachesky

Passa…

Na ilusão errónea

dos sentidos

num deleitoso ego

e volúvel distúrbio

iluminando a máscara

com intuições vazias

e sentidos cegos.


Passa…

Gaivota sem asas

sem vestido nem manto

honra ou quebranto

ou brisa no mar alto.

As fontes em que se sacia

são promessas despojadas

do seu encanto.


Passa…

Despida d´amor

ao som da seda e do veludo

perdida de sóis e de luas

achada de ares de mares.


Passa…

Formosa e bela

em redor dos seus passos

com encantos e quimeras…


Talvez houvesse uma flor!


José M. Silva


domingo, 28 de fevereiro de 2010

Somos o que somos


Desenho retirado da net (desconheço autor)

Vê-te

no olhar do estrábico.

Procura-te

nas águas

peixe excêntrico.

Encontrar-te-ás

na essência

na estirpe

do teu intrínseco mundo

não há como negar

por mais que te transfigures

não deixarás nunca de ser

da água placentária

que te pariu.

Com ela viverás com ou sem sal

e por mais alto que voes

no teu exíguo entrudo

as origens, essas

o pó, a terra, o lamaçal…

serão sempre a tua génese.


Tem sempre em conta

que numa hora, não acharás mil anos

nem em mil anos, acharás uma hora.


José M. Silva


outrapolitica.wordpress.com/.../



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

No Museu Soares dos Reis (Porto)


Obra: Cecília
Autor: Henrique Pousão
Data: 1882
Movimento: Realismo
Iconografia: Simbologia social


Exposição no Museu Soares dos Reis.
Trabalhos artísticos escolares
sobre o pintor portuense
Henrique Pousão

Obra: Busto de Cecília

Autoras: Ana Filipa (minha filha) e Barbara

Data: 12/12/09

Movimento: realista

Estrutura: tridimensional

Material utilizado: Gesso

Iconografia: Simbologia social

12ª G (Escola secundária Dr. Manuel laranjeira)




quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Nada receio!


Foto Paulo Vieira (olhares)

Há espera do teu corpo

sigo suspenso no acto

efervescente do toque

e nada receio!


Vivo a cada dia

o nascer da tua ausência

o som do teu silêncio

e nada receio!


Ergo-me na dança modelar

do teu intrínseco mundo

no fogo lançado ao mar

e nada receio!


Mergulho na dor

na doce dor da imprudência

sacio-me em Phatos, na Catarse

do teu ar.


E nada receio!


José M. Silva


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Uma história chinesa

Processo criativo
  • Apreensão
Preparação
Incubação
  • Iluminação

  • Verificação
Desenho retirado da net


Entre as muitas virtudes de Chuang-Tsu
contava-se a habilidade para o desenho.

O rei pediu-lhe que desenhasse um caranguejo.

Chuang-Tsu disse que precisava de cinco anos de

tempo e de uma residência com doze criados. Passados

cinco anos o desenho ainda não estava começado.

“Preciso de mais cinco anos” disse Chuang-Tsu.

O rei concedeu-lhos.

Ao fim de dez anos, Chuang-Tsu pegou no pincel

e num instante, com um único traço, desenhou um caranguejo.

O caranguejo mais perfeito que jamais se tinha visto.




domingo, 24 de janeiro de 2010

Poesia.com (poetas alheios)


Foto de Paulo Vieira (olhares)

CARTA DE AMOR


Para te dizer tão-só que te queria
Como se o tempo fosse um sentimento
bastava o teu sorriso de um outro dia
nesse instante em que fomos um momento.

Dizer amor como se fosse proibido
entre os meus braços enlaçar-te mais
como um livro devorado e nunca lido.
Será pecado, amor, amar-te demais?

Esperar como se fosse (des) esperar-te,
essa certeza de te ter antes de ter.
Ensaiar sozinho a nossa arte
de fazer amor antes de ser.
Adivinhar nos olhos que não vejo
a sede dessa boca que não canta
e deitar-me ao teu lado como o Douro
aos pés deste Porto que encanta.

Sentir falta de ti por tu não estares
talvez por não saber se tu existes
(percorrendo em silêncio esses altares
em sacrifícios pagãos de olhos tristes).

Ausência, sim. Amor visto por dentro,
certezas ao contrário, por estar só.
Pesadelo no meu sonho noite adentro
quando, ao meu lado, dorme o que não sou.

E, afinal, depois o que ficou
das noites perdidas à procura
de um resto de virtude que passou
por nós em co(r)pos de loucura?
Apenas mais um corpo que marcou
a esperança disfarçada de aventura...
(Da estupidez dos dias já estou farto,
das noites repetidas já cansado.

Mas, afinal, meu Deus, quando é que parto
para começar, enfim, este meu fado?)

No fim deste caminho de pecados
feito de desencontros e de encantos,
de palavras e de corpos já usados
onde ficamos sós, sempre, entre tantos...
Que fique como um dedo a nossa marca
e do que foi um beijo o nosso cheiro
Tesouro que não somos. Fique a arca
que guarde o que vivemos por inteiro.


Fernando Tavares Rodrigues


http://users.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/f.tav.rodrigues.html

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Gostava de dizer que te amo!


Foto de Paulo Vieira (olhares)

Gostava de dizer que te amo

apenas só porque te amo

e amo, o meu amor por ti!


Gostava de dizer que te amo

não por seres bela, meu amor…

mas porque te amo!


Amo a luz do teu caminho

amo o teu respiro, inalo a tua brisa

e voo em teu redor…


Como estrela sem brilho, inquieta,

que dança, nas flores e na agonia da luz

e se desprende do pó que a mãe pura gera.

E rói… e lentamente rói, sempre rói

o quão profundo é o mar de breu,

num céu, de forças inquietas….


E eu gostava de dizer que te amo

tu não o sabes, és bela, és feliz,

E eu amo-te, porque te amo!


José M. Silva


domingo, 10 de janeiro de 2010

No alto sonho...


Foto autor: Marques (olhares)

No alto sonho

Foi sereia mar

Num dia enfadonho

Num dia ao luar


Num dia ao luar

Um anjo lhe deu

Asas para voar

E subir ao céu


Com as asas voou

E ao céu foi parar

E de lá cantou

Uma melodia do mar


A graça que Deus lhe deu

Tem me posto a sonhar

E na dúvida ando eu

Se quero, ou não acordar


Acordar deste sono leve

Desvanecido à beira-mar

Desta magia que teve

O dom, de saber amar.


José M. Silva




quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Fui assassinado!...


Foto retirada da net

Fui assassinado!... Li-te-ral-me-nte assassinado.

- Como foi? Hum… não me recordo.
Também quem quer recordar a sua morte?!!
Apenas sei, que fui assassinado e ponto.
Sei até quem me matou!... (Num acto frio e calculista)
Mas, que se saiba!... Já não se mata como antigamente.
Ai não mata não! Dantes, ofereciam um cigarro
e deixavam proferir as últimas palavras.
Eram killers sentimentalistas, como o do Sepúlveda.
Agora, ai agora, tá bem tá! Agora, nem a profissão eles honram ou dignificam.
Aqui pra nós, que ninguém nos ouve, muitos, dos verdadeiros capones, pagos a soldo,
devem dar marradas de raiva e desprezo, lá na cova funda,
por causa destas novas gerações de assassinos.
Pudera… também, com tanta falta de profissionalismo.
Não existe, uma formação adequada, qualquer um, nos dias que correm,
pode ser assassino! Faz o RVCC e pronto… já são todos ”doutores”
que é, como quem diz, assassinos, Killers, matadores…
Porém, e em verdade se diga, o cigarro não me fez falta nenhuma,
há dez anos que larguei o vício, depois só me ia fazer mal!
Daí que, do mal, o menos. (afinal não foi assim tão frio)
Quanto às últimas palavras, aí, é que o “gajo” esteve mal, nota –zero.
Pergunto… será o tempo, assim tão valioso? Que o dito,
não pudesse, esperar um pouco e deixar-me dizer umas palavritas!
Podia até proferir uma bela retórica, (não que seja sofista) mas dado
que até me sentia inspirado… num daqueles dias em que as palavras
correm… corre a imaginação, corre a criatividade, enfim, tudo corre!...
E corre, assim sem mais pró quê! – Hehehe, uma das poucas coisas
que me lembro, aquando do meu homicídio (ainda presente na minha memória)
É que foi num dia, em que a imaginação fluía, rio acima, rio abaixo,
descia e subia falécias, esgueirava-se por entre montes e vales,
apanhava, boleia do vento e vinha parar ao lugar de sempre.
Às dunas! Meu deus às dunas… ai as dunas…

Como já deu para perceber, não sou eu que estou a narrar, é ele!
THE MURDERER! THE KILLER!
Vamos lá a ver, ELE que sou EU!… Na realidade EU que sou
ELE ou vice-versa… Para ser sincero, já não sei bem quem sou!
Se ELE ou EU.
Mas, afinal de contas… quem matou quem?..
Será necessária a intervenção do inspector MAIGRET?!!
Ora bem, é sabido que SARAMAGO matou RICARDO REIS.
“Mas eu, que nunca principio nem acabo,
nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.“
Não seria capaz de matar ninguém, muito menos EU ou ELE!
Até porque uma coisa pensa o assassino; outra coisa o assassinado.

José M. Silva

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Na nascente do teu ouro


Foto de Paulo Vieira (olhares)

Na nascente do teu ouro

na liberdade do teu rosto

sou mãos, sem voz na tua sede.

Sou, o ser que reporta o voo nas mãos…


Ascendo dum mundo de mãos

com muros e montanhas de sangue.


Transcrevo no musgo

e no barro, que me aquece a alma

a chama do teu corpo nu.


Regresso em silêncio ao enigma do teu corpo

e percorro o teu rosto com olhos tacteados.

Sigo os trilhos da minha difusa ilusão

e encalho nas tuas veias dançantes…


Sou o verso do tempo, em noites cerradas

rasgo as mãos, na tinta corrente e incendeio,

o corpo vivo. Saturo a alma, rompo o silêncio…


E desenho… redesenho… e voo!

Voo alto, num voo sem destino….


José M. Silva




domingo, 27 de dezembro de 2009

O ouro nasce, na liberdade do teu rosto.


Foto de Daniel Pedrogam (olhares)

As grades esbatem

o desalinho das árvores

que crescem no teu rosto.

As ruínas sombrias

passam à velocidade da luz!...

Imagino o teu rosto, com imagens

que me ladeiam as têmporas

com legendas de fogo.

Caminho nu, na tua voz ausente

desenho melodias no teu corpo leve.

Embalo na triste e leda madrugada

na quietude do teu colo, no segredo das flores!...

O ouro nasce, na liberdade do teu rosto.


José M. Silva