Não escrevo palavras bonitas, escrevo sentimentos bonitos...!
I do not write nice words! I write beautiful thoughts ...




quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O silêncio



Foto da net (desconheço autor)


O silêncio

é um pano escuro

que escorre nas tuas mãos

a inocência do teu rosto!


José M. Silva


Poema inédito




sábado, 4 de setembro de 2010

Para um amigo tenho sempre um relógio


Foto retirada do google (desconheço o/a autor)

Para um amigo tenho sempre um relógio

esquecido em qualquer fundo de algibeira.

Mas esse relógio não marca o tempo inútil.

São restos de tabaco e de ternura rápida.

É um arco-iris de sombra, quente e trémulo.

É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.


António Ramos Rosa

in "viagem através de uma nebulosa", 1960


Quando vou ao baú, remexer normalmente

encontro boa e bela poesia, este poema estava

esquecido! Disse estava!... Pois, mas já não está! ;-)


Um excelente poema, de uma só estrofe, com algumas

características líricas. Em que o Poeta, revela uma

visão ambígua, emotiva e pessoal sobre a amizade.

Com um discurso metafísico e rico em imagens.

Uma enorme carga emotiva em apenas seis versos!


Os meus parabéns ao Mestre Ramos Rosa!


José M. Silva


domingo, 22 de agosto de 2010

A bola para quem gosta de ir na bola:


Foto-Autor(a) HELDER J BARRETO

A bola para quem gosta de ir na bola:

é quadrada, velada, esquinada…

A bola para quem gosta de ir à bola

é um mundo novo de largos horizontes.

A bola para quem gosta de ir na bola:

é formatada, globalizada, sem sentidos…

A bola para quem gosta de ir à bola

é um apelo redentor à criatividade.


Os que vão na bola movem-se sempre:

em linha recta, perfilados, empalados…

Respiram um fumo negro e castrado.

Os que vão à bola são autónomos, criam novas

formas repletas de curvas e contracurvas.

Inalam o ar libertador e multicolor do verbo, que

espreita por trás do olhar como que ouvindo as cores.

Brincando com palavras e deleitamentos poéticos

sem peias rumo à plenitude, num voo nocturno

só versado a quem lê por dentro.


José M. Silva

Poema inédito

sábado, 14 de agosto de 2010

Helena



Helena
(Vilancete de Luís de Camões)

Se Helena apartar
do campo seus olhos,
nascerão abrolhos.

A verdura amena,
gados que pasceis,
sabei que deveis
aos olhos de Helena.
Os ventos serena,
faz flor de abrolhos
o ar de seus olhos.

Faz serras floridas,
faz claras as fontes...
se isto faz nos montes,
que fará nas vidas?
Trá-las suspendidas,
como ervas em molhos,
na luz de seus olhos.

Os corações prende
com graça inumana;
de cada pestana
ua alma lhe pende.
Amor se lhe rende
e, posto em giolhos,
pasma nos seus olhos.

Luís Vaz de camóes

Música da autoria de: José M. Silva
Guitarra e voz: José M. Silva
Video (Movie Maker) de: José M. Silva
Aguarelas do video de: José M. Silva

domingo, 1 de agosto de 2010


Foto: Marcelo J Costa (olhares)

Alimentam-se
de escárnios e de mal dizer.
O dia, nasce-lhes vazio e turvo,
a noite, alimenta-lhes o formatado ego,
a luz sombria alumia-lhes as têmporas
e ressalta na dogmática escuridão da noite.
Centram-se no ruidoso e narcísico palco,
bosquejam epistemologias sem recheio
e intuições desprovidas de conceitos.
Fazem vénias e sorriem ironicamente
agradecendo ao criador…

José M. Silva

Do Livro «As Sombras» 2010

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Vejo a cada passo


Pintura digital
Autor: José M. Silva

Vejo a cada passo

o prolongado passo

das sombras…

Posicionadas nas margens

enfurecidas do rio.

eminentes ecos

adivinham tempestades.

A água corre em searas alheias

e a luz fere a obscuridade das sombras.


31/03/2010 José M. Silva

Do livro «As Sombras» 2010




terça-feira, 6 de julho de 2010

«Os amantes sem dinheiro»


Música original de José M. Silva
Poema de Eugénio de Andrade

Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro

onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto qu
e faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.


Eugénio de Andrade


sábado, 3 de julho de 2010

O meu livro «As Sombras»




No meu livro!... Há um silêncio acumulado…

há um ar exaltado que esmorece as amarras…

o homem é um sonho frágil e tem sede de vampiro…

eleva-se num mundo glorificado à sua imagem e,

metamorfoseia-o ora modelando-o, ora roendo a

corda que sustêm a ponte que o separa do abismo…

o tempo é um espaço fragmentado ligado por dois

pontos e um registo, registo com que rompo

as “sombras”.



01/07/2010 José M. Silva



Por vezes, as ruínas do tempo


Por vezes, as ruínas do tempo

emergem como palavras indizíveis.

Infiltram-se húmidas e frias

no esvoaçar enevoado das mentes.

A luz é um reino privilegiado

um ser longínquo que habita

no segredo das palavras

e das vozes, que percorrem

como átomos o inaudito

som do silêncio.

Silêncio que rompe as sombras..


31/03/2010 José M. Silva


Do livro «As Sombras» 2010


http://porosidade-eterea.blogspot.com/




quinta-feira, 1 de julho de 2010

«MUSICALIDADE POÉTICA III»



Cartaz do «Musicalidade Poética»
Autor José M. Silva

José M. Silva e seus convidados, Marília Miranda
(voz e guitarra)
Trindas (baixo), Paulo Pelotas
(bateria)
, Luís Novo (guitarra) da banda Croquis
e as diseuses Manuela leitão e Maria Emília
Pinheiro. Têm o prazer de convidá-lo (a)
assistir ao evento
«Musicalidade Poética»
e ao lançamento do livro de poesia intitulado
«As Sombras» de José M. Silva, no piano bar
do Clube Literário do Porto, no dia 18 de Julho,
a partir das 17h00.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Desenhos de Manoel Bonabal



Esboços executados ao vivo, pelo amigo
Manoel Bonabal, durante o filó-café
»esquecimento» em Espinho. O Manoel,
Pintor natural da Galiza, não se esqueceu
de nos prendar com a sua presença e com
a sua arte: Bem hajas Manoel Bonabal

http://manoelbonabal.blogspot.com/

domingo, 16 de maio de 2010

Nesta terrena e curta passagem


Foto de José Ferreira (olhares)

Nesta terrena e curta passagem

o endereço próximo situa-se,

na futilidade das palavras.

As que vivem encantos e desencantos

enganos e desenganos. Por vezes:

amadas, odiadas, inoportunas…

Por vezes: pálidas, díspares, obsoletas…

Bloqueiam sentidos, arquivam emoções,

escrevem livros e decifram códigos

aos olhos dos supra alfarrábios.


José M. Silva


Do Livro «As Sombras» 2010



quarta-feira, 14 de abril de 2010

Fotos do «Musicalidade Poética II»


Fotos de autoria de José Tavares
Montagem ( Movie Maker) José M. Silva

domingo, 4 de abril de 2010

As palavras


Foto retirada da net

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?


Eugénio de Andrade


quarta-feira, 31 de março de 2010

«Musicalidade Poética II»


José M. Silva e o Clube Literário do Porto
têm o prazer de convidá-lo (a) a assistir
ao evento Musicalidade Poética II, no dia
11 de Abril, a partir das 16.00h, no piano bar.

O evento terá a participação do músico
Carlos Andrade, e das declamadoras:
Maria Emília Pinheiro e Maria José Veiga

Clube Literário do Porto
Aberto de segunda a domingo,
das 9.30h á 1.00h.
Rua Nova de Alfândega. nª22
4050-430 Porto
Tlf: 222089228

sábado, 27 de março de 2010

Clareiras do Bosque



A clareira do bosque é um centro
Em que nem sempre se consegue entrar
É um outro reino que a alma habita e guarda
Parece como que o vazio - ou o nada ou o vazio -
Que estarão presentes ou continuamente latentes na vida humana
E para não ser devorado pelo nada ou o vazio
Haverá que juntá-los num só

Centro é também o coração
Porque é o único que do nosso ser se ouve
E só por ele
Os privilegiados organismos que o têm
Se ouvem a si mesmos

Só os astros longínquos, puros,
Enquanto forem inacessíveis à sua colonização
proporcionarão a imagem real
De um ser idêntico à sua vida inocente
Como se só tivesse sido criado sem ter de nascer

Fica surdo e mudo,
Circunstancialmente, o coração
Deixa então todo o espaço às operações da mente
Que se movem assim
Sem assistência alguma
Abandonadas a si mesmas.

Maria Zambrano


quarta-feira, 17 de março de 2010

Meu Pai


Foto da autoria de Ana Filipa Silva

É lento e frio

este amanhecer

que a Março

abre as portas

ao som da música

que me atravessa o sono

e me aparece nesta

visão única, que guardo

dum tal respeito e semelhança.


A vida passa e tu não estás

procuro-te no fundo

bem no fundo de mim.

Vêem-me à lembrança

recordações daquele último dia

do teu olhar mais velho e cristalino

da água que te corria o rosto

e da ternura que jorrava em ti

o desaparecer dum sonho…


Recordo-te a cada passo

como se o passo, do passo

passasse a cada instante

em que te penso e me apareces

naquele derradeiro olhar

voltado sobre os ombros

tão profundo e sereno

na estação do teu mar.


E que seria o voltar

que te visse eu

no quanto a vista alcança

na estação do comboio

pedalando o triciclo que me havias dado…


José M. Silva


http://porosidade-eterea.blogspot.com/2010/03/hoje-ainda-e-dia-do-pai.html

terça-feira, 9 de março de 2010

Como se estivesse apaixonado


Foto de Virgínia Pinhão (olhares)

Para quem não sabe como é

(como se escreve um poema de amor)
eu vou dizer.


Como se estivesse apaixonado
Falar desse teu corpo exagerado
Que apenas aos meus olhos ganha cor,
De um coração em mim anteestreado


Num palco onde jurei fazer-te amor.
Esculpir esses cabelos impossíveis
Que nunca mãos algumas alisaram,
Desflorar esses vales inacessíveis


Onde os outros de vésperas naufragaram.
Contar como se ardesse de desejo
As pernas de cetim que tu me abriste
E a boca que se derreteu num beijo,


Soluço de sorriso que desiste.
Dizer, porquê? Se todo o mundo sabe
Que quando se ama não se escreve
E que, então, o tempo todo cabe


Naquele instante breve que se teve.
Contar o resto seria apenas feio,
Sentir o que não foi, deselegante.

Falar do que te disse pelo meio
Só se não fosse homem, nem amante...


FERNANDO TAVARES RODRIGUES
(nasceu em Lisboa em 1954)


segunda-feira, 8 de março de 2010

O fogo da decadência



De repente, o fogo veio

E aos poucos o dia calou a sua voz.

O silêncio era frio

E o nevoeiro repleto de raiva e ódio

Estendeu as suas garras

Sobre o Portugal futuro.

Os clarões viam-se ali bem de perto

Mais parecia um tempo sórdido de guerra

Onde os homens caem

Abatidos pela ignorância da terra.

E nós deambulávamos perdidos

Escondidos, tontos e amordaçados.

O medo paralisava-nos as pernas

E o suor frio escorria pela face

Entristecida por tanta madrugada perdida

Quando ouvimos uma voz que dizia:

“reparem naquele fogo…

Não é uma fogueira qualquer

Nem tão pouco um fogo que arde sem se ver.

É um contentamento descontente

Que embala o corpo sofrido

Que esmaga o sonho do espírito

Nessa dor que queima até à alma

Na amargura do nosso doer.”

Sim, é uma fogueira sem brilho

Que aquece no arrepio

De quem morre até morrer.

É uma fogueira de má sorte

Que apenas conduz à morte.


Rui Fonseca em No profundo da alma lusitana


António Rui Arrepia Fonseca natural de Foz-Côa.

Licenciado em Filosofia, pela Universidade do Porto.


Inserido numa lógica universal este livro, Leva-nos

numa viagem: histórico-cultural, consciente e analítica da

alma Lusitana. Com abordagens às terras de Ofiúsa,

ao Portugal Templário, à Inquisição...




quarta-feira, 3 de março de 2010

Orgulho lusitano


Imagem retirada da net

Vivemos na memória d´outros tempos

e se tudo conquistamos tudo perdemos.

Os cantares? Esses… afagam a alma.


Entre as exaltadas e incertas ondas

a conquista de hoje, é o sangue do amanha.

O presente é quem o vê, o futuro não vale nada

a liberdade tem cancro, o amor padece de doença terminal.


Orgulho!.. Esse, o das auroras, dos feitos, sim muito!

Esses d´alma, que por si se valeram e em desencantos caíram.

De ganho. Louvores no juízo final, e uma lapide, na cova funda!..


José M. Silva


terça-feira, 2 de março de 2010

A propósito d´amor próprio...


«Á janela» Foto de Romulo Lubachesky

Passa…

Na ilusão errónea

dos sentidos

num deleitoso ego

e volúvel distúrbio

iluminando a máscara

com intuições vazias

e sentidos cegos.


Passa…

Gaivota sem asas

sem vestido nem manto

honra ou quebranto

ou brisa no mar alto.

As fontes em que se sacia

são promessas despojadas

do seu encanto.


Passa…

Despida d´amor

ao som da seda e do veludo

perdida de sóis e de luas

achada de ares de mares.


Passa…

Formosa e bela

em redor dos seus passos

com encantos e quimeras…


Talvez houvesse uma flor!


José M. Silva