
Pintura digital
Autor: José M. Silva
Vejo a cada passo
o prolongado passo
das sombras…
Posicionadas nas margens
enfurecidas do rio.
eminentes ecos
adivinham tempestades.
A água corre em searas alheias
e a luz fere a obscuridade das sombras.
Vejo a cada passo
o prolongado passo
das sombras…
Posicionadas nas margens
enfurecidas do rio.
eminentes ecos
adivinham tempestades.
A água corre em searas alheias
e a luz fere a obscuridade das sombras.
Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.
Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.
Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.
Eugénio de Andrade
No meu livro!... Há um silêncio acumulado…
há um ar exaltado que esmorece as amarras…
o homem é um sonho frágil e tem sede de vampiro…
eleva-se num mundo glorificado à sua imagem e,
metamorfoseia-o ora modelando-o, ora roendo a
corda que sustêm a ponte que o separa do abismo…
o tempo é um espaço fragmentado ligado por dois
pontos e um registo, registo com que rompo
as “sombras”.
01/07/2010 José M. Silva
Por vezes, as ruínas do tempo
Por vezes, as ruínas do tempo
emergem como palavras indizíveis.
Infiltram-se húmidas e frias
no esvoaçar enevoado das mentes.
A luz é um reino privilegiado
um ser longínquo que habita
no segredo das palavras
e das vozes, que percorrem
como átomos o inaudito
som do silêncio.
Silêncio que rompe as sombras..
Do livro «As Sombras» 2010