José M. Silva e o Clube Literário do Porto têm o prazer de convidá-los (as) a assistir ao evento Musicalidade Poética, no dia 10 de Dezembro, a partir das 21.30h, no piano bar.
Clube Literário do Porto Aberto de segunda a domingo, das 9.30h á 1.00h. Rua Nova de Alfândega. nª22 4050-430 Porto Tlf: 222089228
Só de pensar o outro lado do passo… zumbam sons castradores. A rodopiar insónias dentro. Harpejos dissonantes clamam em voz alta, no silêncio da noite. No compasso do passo ao ritmo do passo na obscuridade do passo.
As velas, em altos mastros içadas ao vento. Arrastam, enigmas sequiosos na sede das vontades.
Gato vadio já noite dentro. Uma mesa, duas cadeiras, três bancos. Cinco pessoas - três homens - dois de meia-idade um jovem e duas mulheres igualmente jovens. Uma cerveja preta, um café, uma coca-cola e uma garrafa de vinho. Citações poéticas e pensamentos filosóficos em torno da morte…
cai a folha cai o entendimento tudo se desnuda tudo se move e muda!… Mudam os ares mudam as cores o frio aquece a vista os voos migram os corpos gelam. As noites viram dias os dias viram noites!
Dispo-me… no segredo nu das tuas vestes irresistíveis no olhar concavo, do imaculado desfruto.
Navego-te, oceano turbulento de águas febris, franqueio o veludo tépido dos poros a estalar como átomos inebriantes na voluptuosidade do anelo. Cópulas intensas evocam lençóis brancos como sementes, coadas nos corpos num ledo e fogoso pórtico semiaberto ás combustões macias dos tecidos do sinuoso e profundo lago imaginário.
Danças em mim, despojos d´alma, visto-te com a minha pele, toco-te… submergem da languidez adormecida do teu corpo espasmos, orgasmos, renovados no respiro ofegante da da ressoada e porosa fonte! …
Sozinho
nestas quatro paredes
eu e o mundo,
com mágicos e efémeros cenários,
denominadores comuns
da nova ordem.
As orquídeas sobre a mesa
absorvem-me o ar.
A capa do Retrato do artista quando jovem
de James joyce está rasgada.
A copa do candeeiro está solta
e tudo é abstracção.
Encontro-me algures entre
o tempo vivido e o tempo passado.
E penso, e sonho!…
O corredor é estreito, sigo
sonâmbulo, pé-ante-pé
a casa estremece, os gritos intensificam-se...
Meu pai tinha sonhos
e a morte tem nomes profundos,
vontades precoces e Baco por companhia.
Minha mãe era o norte em ventos amenos
cantava, a vontade das coisas
e seguia as suas flores, o seu fado.
Por vezes, Baco soltava a sua ira,
e tudo ficava assustador, curvado e terrifico.
Sou um tempo derradeiro
que surge de um curto espaço de tempo,
em que havia flores na jarra, e frutos no pomar.
As sementes pairavam e eram férteis!...
Fui uma esperança genética,
um nado primaveril mas, fruto centrípeto
Sou uma força adormecida,
um destino errante.
Colhi sementes VanGoghianas,
um epicentro, um clik, um apagão.
Sou um querer, que de tanto querer,
chego a crer que tudo é ardor…
e arde,
à volta da fogueira
que solta labaredas.
Salto-as e desprendo-me...
Vou de encontro à loucura… à minha loucura!
A medida das coisas, são
actos inconsequentes, mas vivos.
Perco-me nos tempos e
sigo o vento. O sentimento
é o tema vivido,
e vai muito para além da vida e da morte.
É um querer fero, que salta a fogueira
é um traçar d´olhos, com demandas cognitivas
expressas pelas mãos.
Um nascimento em mim
uma expressão gráfica de palavras
encarceradas na timidez.
Eu digo: que o belo, não é belo, se não for inteiro!
Aos meus olhos a beleza é um todo,
porque o amor das coisas, não se fica pela apreciação.
Mas pela vida, pela fruição, pelo sentimento,
ser por momentos o “Criador”.
Ou a essência da obra, ser forma empática,
ou ser mais alto, e voar...
voar noite dentro. Sentir, por
breves momentos o sumo desejado
a esvair-se em pequenos cliques.
- Só podes ter um amor!
- diz o meu irmão
- é a verdade dos tempos.
- Mas eu não vivo dos tempos mas,
os tempos em mim! E em mim
eu sou o tempo, o meu tempo!
E no tempo sou crente, uma alma demente
que vive e sente como toda a gente.
E no amor sou livre, sou bígamo,
pesaria um barco, com um só amor!
Sou um traçar de caneta, uma sequência de acordes
um fluir de pincéis…
Por vezes nego a cor, outras, sou fogo Sanjoanino.
Por vezes um equilíbrio melódico, outras, um latir de sons.
Por vezes o poema está em mim firme e imponente,
leva-me nestas insónias e é um rio na minha mão,
é vida a correr.
São formas a fluir em sucessivas mutações,
é matéria que ressuscita nas alvoradas
é um tempo só meu
um emergir de sentidos
um aroma... náuseas... estrelas...
um rouxinol a trinar. É a natureza
que me inebria. E eu quero ser a natureza!...
Pois sou uma força dela. Quero senti-la
estar nela, e ela em mim.
Quero-a cantar e cantar com ela
quero-a pintar e ser a sua essência
quero-a esculpir e ser matéria
quero-a tocar e ser melodia.
Quero ser morto e viver nela
quero ser vivo e respirar por ela!
Quero acordar nela e
descobrir todos os nomes.
Ser parte d´um todo
um todo de todos, um todo respirável,
um todo uníssono, um todo mundo!...
Um mundo sem portas, as janelas vêem d´alma.
Um mundo verde, com as ervas a crescer,
com as flores a brotar, as crianças a brincar
e todo o mundo a voar!…
E eu aqui noite adentro…
a sós com o mundo e tudo é
abstracção.
Como que matéria antagónica. Espasmos cerebrais vertem grão a grão o doce espumante da maresia bebido por taciturnos desamparados. As gaivotas planam em terra Fogem da revolta de Èolo. Varinas mascaradas ardem nas tochas com desejos impuros e mundanos.
Sinceramente não sei!.. Palavras levás o vento Possuo a ignorante pertença Da falta!.. Da concepção, Devastadora das ideias.
Procuro grão a grão Nesta minha cama presente Sumos, virgens, pra colher. Puros, de um fero puro, que em mim, se abstêm Muito além das vozes…
As crianças riem, saltam, gritam… Correm em redor do meu pouso, Olho-as, lírios contaminados. A água sobe, o desvario é crescente, O fermento não grela, não germina!
Encontro-me numa casacomum Habitada por moluscos, e corpus seminus, Que desfilam, no fundo da retina Ardendo, em sangue podre De prazeres, fecundos e ocultos.
O sumo, o apogeu, A essência, o brotar da matéria, O alimento que me é negado. O farto nascido nos campos E colhido nas rosas. Num principio fecundo. desprovido, descontaminado, Do epicentro viril e selvático Da crescente matéria d´ouro negro. De negro ouro, decepado, suspenso e melancólico Que rodopia… que rodopia… que rodopia… Que mergulha… que mergulha… que mergulha…
E sempre é madrugada E sempre a triste noite E sempre a pirâmide, devoluta Arrastar a morte embrionária A morte anunciada do momento!
Tão lindas… que elas são tão belas, tão inocentes tão alegres, tão carentes. Na vida tudo lhes é dado ás vezes o mais importante negado. Tão ricas… tão fartas… do que têm e do que não têm fartar-se-iam elas se tivessem só o que a maioria não tem.
Peguei nos pincéis para pintar o Porto. O rio, o casario, os rabelos, um espelho de mim dos meus frustrados pensamentos. Vou divagar, vou velejar, vou roer… roer… vou roer de mim vou ser o quanto a tristeza afunda, e afundar-me em profundos sóis. Vou chegar no fim e ser luz sem glória: Vou riscar, vou pintar, vou pintar, vou riscar... vou ser ânsia em amargos retoques:
Vou ser frente, vou ser verso, vou ser gente, vou ser reverso.
Vou ser brisa, vou ser roda dentada, um sem-fim excêntrico. Vou girar, vou rodar, vou amar, a mulher do meu poema!
Nas mãos … Duas pombas brancas Nos corações Tramas e trancas! … Nos corações.
Trancas e teias… E zumbidos de amor Recordações e apneias De um pretérito sem cor! … Recordações e apneias.
E agora… Nesta, feliz lembrança Que finda, afora Brilharemos na estrela Que reluz na esperança Que lá longe mora Em suma distância! … Que lá longe mora.
Seguiremos em frente… De bocas amordaçadas E diremos que somos gente De mãos amarradas! … E diremos que somos gente.
Este poema… é o meu eleito Foi escrito pelo meu coração Que sangra, pelo amor guardado no peito De uma rosa branca que seguro na mão! … Que sangra, pelo amor guardado no peito.