Não escrevo palavras bonitas, escrevo sentimentos bonitos...!
I do not write nice words! I write beautiful thoughts ...




terça-feira, 22 de setembro de 2009

Gracias a la vida

Este video é a minha homenagem a Violeta Parra, cantora

e compositora chilena exilada em França durante o regime de Pinoché.

Suicidou-se três meses após ter gravado este tema.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Dispo-me


Foto de Ivan Ivanev


Dispo-me…
no segredo nu
das tuas vestes irresistíveis
no olhar concavo,
do imaculado desfruto.

Navego-te, oceano
turbulento de águas febris,
franqueio o veludo tépido dos poros
a estalar como átomos inebriantes
na voluptuosidade do anelo.
Cópulas intensas evocam lençóis brancos
como sementes, coadas nos corpos
num ledo e fogoso pórtico semiaberto
ás combustões macias dos tecidos
do sinuoso e profundo lago imaginário.

Danças em mim, despojos d´alma,
visto-te com a minha pele, toco-te…
submergem da languidez adormecida
do teu corpo espasmos, orgasmos,
renovados no respiro ofegante da
da ressoada e porosa fonte! …


José M. Silva

http://porosidade-eterea.blogspot.com/2010_02_01_archive.html

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Epilogo


Foto de José Luís Cunha

Vagueando por sinuosas, pastagens
por entre milheirais um som magistral
cresce inseguro no concerto dos pardais.

Sonâmbulo, sigo a obscura sombra do momento.
Barcos místicos encalham na minha memória
neles carrego fardos, por melodiosos ventos.

Martelo a origem do pacto, resvalo nas ondas,
no sonho ruminante de uma primavera suave.

Finjo, numa secura lembrança, breves sorrisos.
Um céu azul, um estio denso no roer da alma.

Pastei-o por vezes o abundante, rio doce da face.


José M. Silva

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Existência


Foto Autor: Nuno Lobito

Linhas d´um sorriso
nas lembranças d´um colo
embalado num regaço negro.
Veleidades d´uma quasinfância
d´uma quasevida
d´uma quasemorte…


José M. Silva

Súmula


Foto retirada da net
Ver-te
nesse estar
crescente,
de magnólia...

nas tuas mãos
sou a árvore,
a fonte,
dos rios que ardem
nos teus lábios.

José M. Silva

sábado, 29 de agosto de 2009

Abstracção


Foto retirada da net

Sozinho
nestas quatro paredes
eu e o mundo,
com mágicos e efémeros cenários,
denominadores comuns
da nova ordem.

As orquídeas sobre a mesa
absorvem-me o ar.
A capa do Retrato do artista quando jovem
de James joyce está rasgada.
A copa do candeeiro está solta
e tudo é abstracção.

Encontro-me algures entre
o tempo vivido e o tempo passado.
E penso, e sonho!…
O corredor é estreito, sigo
sonâmbulo, pé-ante-pé
a casa estremece, os gritos intensificam-se...
Meu pai tinha sonhos
e a morte tem nomes profundos,
vontades precoces e Baco por companhia.
Minha mãe era o norte em ventos amenos
cantava, a vontade das coisas
e seguia as suas flores, o seu fado.
Por vezes, Baco soltava a sua ira,
e tudo ficava assustador, curvado e terrifico.

Sou um tempo derradeiro
que surge de um curto espaço de tempo,
em que havia flores na jarra, e frutos no pomar.
As sementes pairavam e eram férteis!...
Fui uma esperança genética,
um nado primaveril mas, fruto centrípeto


Sou uma força adormecida,
um destino errante.
Colhi sementes VanGoghianas,
um epicentro, um clik, um apagão.
Sou um querer, que de tanto querer,
chego a crer que tudo é ardor…
e arde,
à volta da fogueira
que solta labaredas.
Salto-as e desprendo-me...

Vou de encontro à loucura… à minha loucura!

A medida das coisas, são
actos inconsequentes, mas vivos.
Perco-me nos tempos e
sigo o vento. O sentimento
é o tema vivido,
e vai muito para além da vida e da morte.
É um querer fero, que salta a fogueira
é um traçar d´olhos, com demandas cognitivas
expressas pelas mãos.
Um nascimento em mim
uma expressão gráfica de palavras
encarceradas na timidez.

Eu digo: que o belo, não é belo, se não for inteiro!
Aos meus olhos a beleza é um todo,
porque o amor das coisas, não se fica pela apreciação.
Mas pela vida, pela fruição, pelo sentimento,
ser por momentos o “Criador”.
Ou a essência da obra, ser forma empática,
ou ser mais alto, e voar...
voar noite dentro. Sentir, por
breves momentos o sumo desejado
a esvair-se em pequenos cliques.
- Só podes ter um amor!
- diz o meu irmão
- é a verdade dos tempos.
- Mas eu não vivo dos tempos mas,
os tempos em mim! E em mim
eu sou o tempo, o meu tempo!
E no tempo sou crente, uma alma demente
que vive e sente como toda a gente.
E no amor sou livre, sou bígamo,
pesaria um barco, com um só amor!

Sou um traçar de caneta, uma sequência de acordes
um fluir de pincéis…
Por vezes nego a cor, outras, sou fogo Sanjoanino.
Por vezes um equilíbrio melódico, outras, um latir de sons.
Por vezes o poema está em mim firme e imponente,
leva-me nestas insónias e é um rio na minha mão,
é vida a correr.
São formas a fluir em sucessivas mutações,
é matéria que ressuscita nas alvoradas
é um tempo só meu
um emergir de sentidos
um aroma... náuseas... estrelas...
um rouxinol a trinar. É a natureza
que me inebria. E eu quero ser a natureza!...
Pois sou uma força dela. Quero senti-la
estar nela, e ela em mim.
Quero-a cantar e cantar com ela
quero-a pintar e ser a sua essência
quero-a esculpir e ser matéria
quero-a tocar e ser melodia.
Quero ser morto e viver nela
quero ser vivo e respirar por ela!
Quero acordar nela e
descobrir todos os nomes.

Ser parte d´um todo
um todo de todos, um todo respirável,
um todo uníssono, um todo mundo!...
Um mundo sem portas, as janelas vêem d´alma.
Um mundo verde, com as ervas a crescer,
com as flores a brotar, as crianças a brincar
e todo o mundo a voar!…

E eu aqui noite adentro…
a sós com o mundo e tudo é
abstracção.

José M. Silva

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Revolta de Èolo

Imagem retirada da net



Como que
matéria antagónica.
Espasmos cerebrais
vertem grão a grão
o doce espumante da maresia
bebido por taciturnos desamparados.
As gaivotas planam em terra
Fogem da revolta de Èolo.
Varinas mascaradas
ardem nas tochas
com desejos impuros e mundanos.


José M. Silva

sábado, 8 de agosto de 2009

Perigeu

Perigeu, sob-a-luz-do-luar

Foto retirada da net


Sinceramente não sei!..
Palavras levás o vento
Possuo a ignorante pertença
Da falta!.. Da concepção,
Devastadora das ideias.

Procuro grão a grão
Nesta minha cama presente
Sumos, virgens, pra colher.
Puros, de um fero puro, que em mim, se abstêm
Muito além das vozes…

As crianças riem, saltam, gritam…
Correm em redor do meu pouso,
Olho-as, lírios contaminados.
A água sobe, o desvario é crescente,
O fermento não grela, não germina!

Encontro-me numa casacomum
Habitada por moluscos, e corpus seminus,
Que desfilam, no fundo da retina
Ardendo, em sangue podre
De prazeres, fecundos e ocultos.

O sumo, o apogeu,
A essência, o brotar da matéria,
O alimento que me é negado.
O farto nascido nos campos
E colhido nas rosas.
Num principio fecundo.
desprovido, descontaminado,
Do epicentro viril e selvático
Da crescente matéria d´ouro negro.
De negro ouro, decepado, suspenso e melancólico
Que rodopia… que rodopia… que rodopia…
Que mergulha… que mergulha… que mergulha…

E sempre é madrugada
E sempre a triste noite
E sempre a pirâmide, devoluta
Arrastar a morte embrionária
A morte anunciada do momento!


José M. Silva



sábado, 1 de agosto de 2009

As crianças

Foto retirada da net

Tão lindas…
que elas são
tão belas, tão inocentes
tão alegres, tão carentes.
Na vida tudo lhes é dado
ás vezes o mais importante negado.
Tão ricas…
tão fartas…
do que têm e do que não têm
fartar-se-iam elas
se tivessem só
o que a maioria não tem.
José M. Silva

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Peguei nos pincéis

Pintura digital autor: José M. Silva


Peguei nos pincéis
para pintar
o Porto.
O rio, o casario, os rabelos,
um espelho de mim
dos meus frustrados pensamentos.
Vou divagar, vou velejar,
vou roer… roer… vou roer de mim
vou ser o quanto a tristeza afunda,
e afundar-me em profundos sóis.
Vou chegar no fim e ser luz sem glória:
Vou riscar, vou pintar, vou pintar, vou riscar...
vou ser ânsia em amargos retoques:

Vou ser frente, vou ser verso,
vou ser gente, vou ser reverso.

Vou ser brisa, vou ser roda dentada,
um sem-fim excêntrico.
Vou girar, vou rodar, vou amar,
a mulher do meu poema!
José M. Silva

terça-feira, 21 de julho de 2009

O amor não vale de nada!

Foto retirada da net

Esta vozeirada
Depurativa do cérebro
Promíscua, veleidade
Do ventre!.. Do ventre.

A mórbida rejeição
Das palavras emergentes
Os imunes vendavais
Os medos os lamaçais

Oh!... África quão dolorido
É o teu fado, é a tua gérmen
Oh!... Morte anunciada
O amor, não vale de nada!

José M. Silva

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Pombas Brancas

Musica de: José M. Silva
Dedico esta musica
a uma amiga muito especial
beijos Liz

Pombas Brancas

Nas mãos …
Duas pombas brancas
Nos corações
Tramas e trancas!
… Nos corações.

Trancas e teias…
E zumbidos de amor
Recordações e apneias
De um pretérito sem cor!
… Recordações e apneias.

E agora…
Nesta, feliz lembrança
Que finda, afora
Brilharemos na estrela
Que reluz na esperança
Que lá longe mora
Em suma distância!
… Que lá longe mora.

Seguiremos em frente…
De bocas amordaçadas
E diremos que somos gente
De mãos amarradas!
… E diremos que somos gente.

Este poema… é o meu eleito
Foi escrito pelo meu coração
Que sangra, pelo amor guardado no peito
De uma rosa branca que seguro na mão!
… Que sangra, pelo amor guardado no peito.

José M. Silva

Dentro de mim

Foto retirada da net

Dentro de mim
uma pequena luz,
indizível penetra o meu olhar.

Olhar vazio!..
De múltipla duplicidade

Olhar conivente!..
Olhar etéreo, sumo de gente.

De gente que sente
o fogo e a verdade,
de tão dura realidade,
o presente, ausente.

José M. Silva

Transpor o vazio

Foto retirada da net


Procuro!..
Nesta caminhada terrena
Transpor o vazio,
Em que mergulho e me inebrio.

Centro a minha luz ausente,
Nesta minha sombra presente,

E vivo… Vivo!
Sou gente, que sente
Sou amor, aceso
Fecundo, inerte
Inocente!..

Sou fermento, sou corcel
Desloco-me…

José M. Silva

sábado, 18 de julho de 2009

A vida que passa...

Espera


Júlio, 1930

Colecção Centro de Arte Moderna José de Azeredo

Perdigão, Lisboa


Foto: Centro de Arte Moderna

José de Azeredo Perdigão




A vida passa! Passa…
Passa a história, passa o tempo,
Passa admirável, deslocada
Passa inocente, regulada

Provida de limites…

Passa em formas, cromáticas
Brota, mudanças e adversidades
Dilui-se, em atitudes passivas
Em atitudes condicionadas…

Passa sem leme…

Passa, sem criador…

Passa, imensa e vasta
Autentica e absoluta.


José M. Silva